Ruptura do tendão de Aquiles: operar ou não? O que dizem os estudos
O tendão de Aquiles é aquele "cordão" grosso que você sente atrás do tornozelo, ligando a panturrilha ao calcanhar. Quando ele rompe, a pessoa costuma descrever como "um chute por trás" ou um "estalo" súbito — e na hora seguinte não consegue mais ficar na ponta do pé. É uma lesão comum em jogadores de futebol, vôlei, tênis e em pessoas que voltaram a praticar esporte depois de muito tempo parado.
A grande dúvida sempre foi: precisa operar ou dá para tratar com gesso/bota? Para responder isso, um estudo de 2023 reuniu dados de 1.465 pacientes em 13 pesquisas, comparando três caminhos: (1) tratamento sem cirurgia, com bota imobilizadora; (2) cirurgia tradicional, com corte maior; e (3) cirurgia "por furinhos" (minimamente invasiva). Os números trouxeram clareza para uma decisão que sempre dividiu opiniões.
O maior medo: o tendão romper de novo
Quem já passou por uma ruptura sabe que o pesadelo é o tendão romper outra vez. Os estudos mostram que a cirurgia diminui muito esse risco. A cirurgia tradicional já reduz bastante; a cirurgia "por furinhos" reduz ainda mais — em até 86% se comparada com o tratamento só com bota imobilizadora.
"A cirurgia 'por furinhos' apareceu como a melhor combinação: tem menos chance de o tendão romper de novo do que o tratamento sem cirurgia, e ainda evita as complicações de cicatrização e infecção que a cirurgia tradicional pode trazer."
Quando dá para tratar sem operar?
Em alguns casos, é possível tratar sem cirurgia, desde que o paciente comece logo a fisioterapia, com carga aumentando aos poucos. Esse caminho costuma ser uma boa escolha para pessoas mais velhas, sedentárias, ou que têm outros problemas de saúde que aumentariam o risco da anestesia.
A decisão hoje é "compartilhada": o médico mostra os números, explica os prós e contras, e o paciente decide pensando na sua rotina, no que faz no esporte e no quanto tolera o risco de uma nova ruptura. Atletas e quem depende do corpo para trabalhar geralmente escolhem operar para ter a melhor recuperação possível.
Reabilitação: o segredo do bom resultado
Não importa qual caminho escolher: o que define o resultado final é a fisioterapia. A volta à corrida costuma acontecer entre 4 e 5 meses depois da lesão, e o esporte de alta intensidade volta entre 9 e 12 meses. Pular etapas é o caminho mais rápido para uma nova ruptura — então paciência aqui economiza muito tempo lá na frente.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Apenas um especialista pode avaliar o seu caso e indicar o tratamento mais adequado.
Referências
- "Rerupture Outcome of Conservative Versus Open Repair Versus Minimally Invasive Repair of Acute Achilles Tendon Ruptures: A Systematic Review and Meta-Analysis." PLOS ONE. 2023. PMID: 37130120. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37130120/